Professoras e trabalhadoras de outras categorias fizeram ato no Fórum da cidade de Campo do Brito para prestar apoio e solidariedade à família da professora Ivânia Santana Souza Oliveira, brutalmente assassinada, a mando de seu companheiro, em setembro de 2017. A primeira audiência do caso aconteceu nesta quarta-feira, dia 14.
Muito emocionada, a irmã da professora Ivânia, a também professora Mônica Santana Souza Lima, relembrou da força da irmã e disse que neste momento embora o sentimento de tristeza ainda permeie o coração de todos os familiares, não há revolta, pois a justiça está sendo feita.
“O sentimento da perda ainda é muito forte, mas não diria que este sentimento é de revolta porque estamos vendo que a justiça está andando. Temos tido também muito apoio, muitos parceiros, grandes amigos, tenho a minha categoria, o SINTESE, que graças a Deus, todos eles estão sempre ao nosso lado. Sei que a justiça será feita, tenho plena certeza disso, mas o vazio e a dor ainda são enormes”, falou Mônica Santana, com emoção
A irmã da professora Ivânia ainda fez um alerta a familiares e amigos que são próximos a mulheres que sofrem com a violência doméstica. “Temos que acabar com o pensamento de que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’, temos que nos meter sim, oferecer ajuda e denunciar a situação. Porque se você fica calado a próxima vez que você encontrar sua irmã, sua mãe, sua filha ou sua amiga pode ser dentro de um caixão”, adverte, Mônica Santana.
Assim como as demais mulheres ali presentes, a presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz, levou o seu abraço e solidariedade à família, além de pedir por justiça.
“Todos os dias travamos batalhas por justiça e igualdade. E no dia de hoje, aqui no Fórum de Campo do Brito, estamos em uma batalha e em uma luta muito justa e importante: estamos lutando pela vida, pelo direito das mulheres e contra o machismo, que nos mata diariamente. Em nome da professora Ivânia, em nome de todas as mulheres que são vítimas da violência e do machismo: que se faça justiça”, clama a presidenta do SINTESE
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo do Brito, Lucinara Alves Santos, também foi ao Fórum levar palavras de conforto aos familiares da professora Ivânia Santana, e pedir o fim da violência contra a mulher.
“O assassinato de Ivânia chocou todos nós de Campo do Brito, foi muito trágico. Esperamos que os culpados sejam punidos e que possamos conscientizar a população para juntos darmos um basta nos casos de violência contra mulher. Este ato de hoje, aqui no Fórum, é um ato de solidariedade a uma família, mas também um ato de coragem de todas as mulheres aqui presente denunciando a violência contra a mulher e pedindo justiça”, enfatiza, Lucinara Alves Santos.
Para a coordenadora do SINTESE na região agreste de Sergipe, professora Enivalda Leite, o ato no Fórum de Campo do Brito foi marcado pela esperança. “O ato de hoje representa um ato de esperança, pois acreditamos que o assassinato da professora Ivânia não ficará impune, como tantos outros, que infelizmente se tornam apenas estatística. Esperamos que a condenação dos acusados se efetive e que esta condenação simbolize justiça, confiança e segurança para as mulheres” coloca.
Audiência
Os acusados Jackson Douglas Passos Carvalho (ex-companheiro da professora Ivânaia, mandante do assassinato), e Fábio Almeida Santana (executor do crime) chegaram ao Fórum de Campo do Brito, por volta das 10h da manhã, no carro de escolta da Polícia Militar. Ambos os acusados aguardam o final do julgamento presos.
Nesta primeira audiência foram ouvidas as testemunhas de acusação. Das cinco testemunhas arroladas, quatro foram ouvidas e uma faltou. Diante disso, baseado no princípio de ampla defesa e do contraditório, uma nova audiência será realizada no dia 3 de maio, às 11h, no Fórum de Campo do Brito para ouvir a testemunha de acusação que falta.
Na audiência do dia 3 de maio serão ouvidas também as testemunhas de defesa, e ao final os acusados.
Relembre o caso
Na noite do dia 12 de setembro a professora, Ivânia Santana Souza Oliveira, foi assassinada a tiros quando saia do Colégio Estadual Guilherme Campos, onde trabalhava como coordenadora.
A professora se dirigiu ao veículo para ir embora quando dois homens, em uma motocicleta, se aproximaram e um deles efetuou disparos contra Ivânia, que veio a óbito no local. Todos os tiros foram no rosto da professora. Nenhum pertence foi levado. Até ali a motivação do crime era desconhecida pela população.
O corpo da professora Ivânia foi velado e sepultado no dia 13 de setembro. O seu ex-companheiro, Jackson Douglas Passos Carvalho, esteve presente no velório e no sepultamento e parecia inconformado com o ocorrido, chorava muito.
No dia 21 de setembro a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Campo do Brito, prende Jackson Douglas Passos Carvalho (em Itabaiana) e Fábio Almeida Santana (em Aracaju) como principais suspeitos do crime.
De acordo com as investigações, a polícia encontrou evidências que a principal motivação do crime foi o fim do relacionamento entre a professora e Jackson Douglas. As investigações mostraram ainda que o relacionamento de Jackson Douglas e da professora Ivânia Santana, que durou 9 ano, era conturbado e violento.












