Professoras e professores da Rede Estadual de Ensino de Sergipe iniciam greve, por tempo indeterminado, na próxima segunda-feira

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Professoras e professores da Rede Estadual de Ensino vão parar suas atividades, por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda-feira, dia 9. A decisão foi tomada pela categoria em assembleia lotada, que aconteceu na quinta-feira, dia 5, no Cotinguiba Esporte Clube, em Aracaju.

Após a deliberação de greve, a categoria saiu em passeata até a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), onde o SINTESE protocolou ofício aos deputados e deputadas solicitando que a casa faça a mediação para a abertura de negociação efetiva entre o nosso Sindicato e o Governo do Estado.

De mãos dadas, professoras e professores deram um abraço simbólico na Alese. “Abraçamos a Alese porque esta casa precisa também abraçar o magistério sergipano e, como representantes do povo, fazer mediação para que ocorra uma negociação efetiva entre o SINTESE e o Governo do Estado”, falou o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, durante a ação.

Greve e o cenário de empobrecimento do magistério

Em 2025, após um ano de audiências com o SINTESE, o Governo Fábio Mitidieri, ao lado do então secretário de educação, Zezinho Sobral, fechou de forma unilateral as negociações. De lá para cá não recebeu o Sindicato e nem respondeu as tentativas de retomada das negociações. Diante do silêncio do governador, a alternativa encontrada pelas professoras e professores foi aprovar a greve.

O processo de desvalorização das professoras e professores da Rede Estadual é profundo. As perdas acumuladas, ao longo dos últimos 14 anos, pelo magistério sergipano chegam a mais 54% de suas remunerações, devido ao desmonte da carreira, ao congelamento de gratificações e, sobretudo, falta de vontade política, por parte do Governo do Estado, em buscar a mudança deste cenário de empobrecimento ao qual professoras e professores continuam submetidos.

O cenário agrava-se ainda mais porque ao fechar as negociações em 2025 e seguir com a mesma postura até o presente momento de 2026, o governador, Fábio Mitidieri, deixa a entender que não quer cumprir as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que obrigam a retomada a carreira do magistério (ADI 4871) e descongelamento de gratificações (ADI 5054), em uma postura, que no entendimento do SINTESE, é extremamente grave e desrespeitosa aos professores e à Suprema Corte do nosso país.

Ainda se soma a isso a falta de transparência, má gestão de recursos e sobra de dinheiro que deveria ter sido investido na educação sergipana. A partir de dados do próprio Governo do Estado, o SINTESE constatou que mais de meio bilhão de reais foram gastos, sem comprovação fiscal, pela Secretaria de Estado da Educação

Mais de 273 milhões de reais deixaram de ser investidos na educação de Sergipe, em 2025, dinheiro mais que suficiente para o Governo do Estado iniciar a recuperação da carreira do magistério, o que demostra que há falta de vontade política por parte do Governo Mitidieri de valorizar as professoras e professores.

“Tivemos paciência, buscamos a via do diálogo e da negociação, mas o Governador, Fábio Mitidieri, parece fazer questão de seguir cultivando o processo de desvalorização e empobrecimento dos professores. A greve busca chamar a atenção para tudo que estamos vivendo, para a falta de vontade política do Governo do Estado, mesmo com dinheiro para mudar este cenário. Por isso, apelamos aos deputados, aos desembargadores, para que possam mediar esta negociação entre o SINTESE e o Governador do Estado e que propostas efetivas as nossas pautas sejam apresentadas”, coloca o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva.

Escolas, professores e estudantes em abandono

Embora Fábio Mitidieri ao longo de seu mandato, ao lado do então secretária Zezinho Sobral, tentou vender a imagem de que nas escolas da Rede Estadual tudo ia “as mil maravilhas”, a realidade do dia a dia, do chão de muitas escolas do nosso estado, é outra.

A falta de água assola também as escolas. Após a privatização da Deso, conduzida pelo Governo de Fábio Mitidieri, a falta de água tornou-se uma constante em bairros da capital e do interior e as escolas também estão sofrendo com o fato. Muitas vezes os estudantes têm que ser liberados mais cedo, ou as aulas nem acontecem, por falta de água.

Outro grave e cruel problema é com relação aos estudantes com deficiência. A falta de assistência a estas crianças e adolescentes e as suas famílias já é fruto de várias denúncias aos órgãos responsáveis. Faltam profissionais de apoio nas escolas e nas salas de aula. Professores e estudantes estão largados a própria sorte, em um ambiente nada propício para as necessidades das crianças e jovens com deficiência.

A ausência de uma alimentação escolar adequada as necessidades nutricionais dos estudantes, também é outro grave problema. Em muitas escolas da Rede Estadual a base da alimentação de estudantes tem sido broa, bolinho e suco de caixa.

O Governo faz a propaganda de acesso à Internet nas escolas e tablets dados aos estudantes. A rede de internet é péssima, até para preencher o diário eletrônico as professoras e professores precisam usar seus próprios pacotes de dados.  Já os tabletes dados aos estudantes é de baixíssima qualidade.

Transtorno também no transporte escolar, estudantes estão perdendo aulas por conta da desorganização da Secretaria de Estado da Educação. O transporte escolar que leva para casa os estudantes de ensino médio, do turno da manhã, após o 6º horário de aula, é o mesmo que busca os estudantes da tarde. Por conta do horário apertado, os estudantes da tarde acabam entrado na escola após o início das aulas e chegam a perder até 3 horários de aulas. Isso impacta também no transporte dos estudantes da noite.

E para completar este tenebroso cenário, o Governo ainda investe em pacotes prontos de ensino para as escolas da Rede Estadual, afrontando a liberdade docente e deixando de atender as necessidades dos estudantes para o ENEM.

“A nossa luta perpassa não só por valorização, que é algo essencial à vida de todo o trabalhador, mas expõe também os graves problemas que enfrentamos em nossas escolas e que o Governo do Estado, juntamente com a Secretaria de Estado da Educação, quer empurrar para debaixo do tapete” aponta o presidente do SINTESE.

O professor Roberto pede ainda o apoio e a compreensão da população de Sergipe diante da greve do magistério.

“Pedimos que a sociedade abrace a luta do magistério. Valorizar o professor é investir em educação de qualidade, dar condições de ensino e aprendizagem ao nossos estudantes é investimento no futuro do nosso estado. E quem se importa com Sergipe, se importa com a educação e com o futuro do seu povo. Asseguramos aos estudantes, e suas famílias, que o ano letivo não será prejudicado e que as aulas serão repostas após a greve, mas agora pedimos o apoio, a compreensão e que também se somam a nós, professores, nesta luta, por diálogo, por justiça, por direito”, enfatiza.

Agenda de luta

A categoria deliberou também durante assembleia uma intensa agenda de luta para a próxima semana. Confira e participe:

09/03 – Segunda-feira, às 8h

Ato em frente à Secretaria de Estado da Fazenda, em Aracaju, (R. José Carvalho Pinto, 280, Bairro Jardins)

10/03 – terça-feira, às 8h

Ato em frente ao Tribunal de Contas de Sergipe, em Aracaju (Av. Conselheiro Carlos Alberto Barros Sampaio, S/Nº, bairro Capucho)

11/03 quarta-feira, às 8h

Ato em frente ao Palácio de Despachos, em Aracaju (Av. Adélia Franco, 3305, bairro Grageru)